A Onda
06 de Jul de 2017
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Marcelo Gomes

            Certa vez, o físico dinamarquês Niels Bohr afirmou: “o oposto de uma verdade é uma mentira, mas o oposto de uma verdade profunda pode muito bem ser outra verdade profunda”.

            Imaginemos um laboratório fictício onde se ponham sobre uma mesa: uma maçã, uma bolinha de gude e um cristal de quartzo. O que todos têm em comum? São, essencialmente, matéria. Pensemos que, com uma lâmina ultrafina e ultrarresistente, consigamos cortar os três objetos várias vezes. O que obtemos? Pedaços de maçã, pedaços de vidro e pedaços de quartzo. Continuemos usando nossa lâmina poderosa para cortar esses pedaços, gerando unidades cada vez menores, até cansarmos. O que sobrou dos itens? Suas moléculas. Não satisfeitos, vamos castigar todas as moléculas que estão sobre a mesa, cortando-as sucessivamente, até separarmos seus átomos uns dos outros. O que vemos? Incontáveis átomos de diferentes naturezas!

            Pensemos que ainda seja possível, com a lâmina fictícia, despedaçar os átomos, chegando aos prótons, nêutrons e elétrons. Não satisfeitos, vamos quebrar os prótons, os nêutrons e os elétrons que restaram sobre a mesa. Qual o resultado? Quarks. Imaginemos que queiramos, agora, quebrar os quarks. Bem, a lâmina fictícia não é tão poderosa. Para isso, devemos lançar mão do conhecimento advindo de um ramo da Física ainda considerado revolucionário: a Mecânica Quântica.

         Segundo a Teoria Quântica, tudo vibra, ainda que pareça em repouso. Observemos os quarks sobre a mesa do laboratório imaginário. Se eles vibram, vamos aumentar sua frequência. O que aconteceu? Eles desapareceram e, em seu lugar, surgiram duas novas estruturas: a supercorda e o bóson de Higgs. Mas, espere... essas coisas são ondas! Descobrimos, assim, que matéria em alta frequência transforma-se em onda!

            Sejamos ainda mais ousados e aumentemos a frequência desses últimos elementos. Se fizermos isso, perceberemos que o próximo nível constitui o “terreno fundamental” a partir do qual se edificam os três objetos infinitesimalmente despedaçados: uma onda pura, de altíssima frequência, que gerou todos os átomos que constituíram todas as moléculas que constituíram todas as substâncias que constituíram todos os pedaços dos objetos que estavam sobre a mesa.

            Essa onda, conhecida (vulgarmente, diga-se de passagem) como “vácuo quântico”, é o tecido fundamental compartilhado por todos os seres e todas as coisas, visíveis e invisíveis, que existem no Universo, estando em todos os lugares ao mesmo tempo.

            Imaginemos, agora, o processo inverso: a onda reduz sua frequência, gerando supercordas e bósons de Higgs; as supercordas e os bósons de Higgs reduzem suas frequências, gerando quarks (ou seja, energia gerando massa); os quarks, por sua vez, irão formar prótons, nêutrons e elétrons, que formarão os átomos, que formarão as moléculas, que formarão as substâncias que comporão os pedaços dos objetos partidos pela lâmina fictícia do laboratório. Ou seja: três objetos diferentes formados pela mesma essência: o “vácuo quântico”, ou a onda.

            Com efeito, toda massa percebida no Universo surgiu por redução de frequência da onda primordial: o hidrogênio que compôs as primeiras estrelas; as estrelas que explodiram, expelindo elementos químicos para o espaço, que posteriormente vieram a compor os planetas e demais corpos siderais; as estrelas que sobraram e as que ainda vão explodir, em torno das quais orbitam planetas com potencial de abrigar vida, como é o caso da Terra.

Do “vácuo quântico” à vida. Lei da entropia em sentido reverso gerando organização autossustentável. Cabe pensar: há uma vontade por trás de tudo isso? Será que o “Pai Nosso” está somente no “céu”? Parece que ainda estamos engatinhando.

Por Marcelo Gomes

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