A verdadeira paixão
06 de Abr de 2017
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Tarcisio Padilha


Beethoven foi o primeiro a deixar a música falar a linguagem até então proibida da paixão. Para expressá-la, ele encontrou um novo meio: destacava certos pontos de sua trajetória e os interpretava com grande determinação, de modo que os ouvintes pudessem adivinhar todo o percurso.

O artista só pode se relacionar com seus contemporâneos na medida em que contribua para a perenidade de sua arte. De fato, discípulos que Beethoven formou, músicos aos quais dirigiu uma palavra, plateias que o acompanharam na seriedade de seu trabalho, atestam o alcance de sua obra.
 
Com o genial compositor conseguimos alcançar o grau supremo da sensação e apenas nessa atmosfera nos sentimos de novo no reino da liberdade, escutamos a cada passo forte do herói o eco estúpido da morte e compreendemos em sua indizível proximidade o supremo atrativo da vida.
 
Quando procurava em si o que mais profundamente vinha ao encontro de sua necessidade, Beethoven percebia que só poderia ser a música, que dá a conhecer sua vivência mais íntima e própria. Experimentava a originalidade, inesgotável ainda hoje em nossa cultura, a força sonora de suas raízes.
 
A verdadeira paixão, na vida, não fala por sentenças. Sua música transmite imediatamente as profundas emoções dos personagens dos dramas para a alma dos ouvintes, e assim lhes propõe uma compreensão e uma vivência inteiramente novas, como se os sentidos subitamente se espiritualizem.

 

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