O Drible
13 de Set de 2017
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Debora Lomba

No Rio de Janeiro, dia 23 de agosto de 2017, às 21:45, começava a partida de futebol que definiria o time a ser classificado para a final da Copa do Brasil 2017. De um lado, Flamengo, do outro, Botafogo. Um clássico carioca. De um lado, um time com várias estrelas, um jovem jogador com futuro promissor e já reconhecido pelo futebol que apresenta, apesar de sua pouca idade. Do outro, um time aguerrido que tem participado dos principais campeonatos do ano se apresentando como um gigante crescendo para cima de seus adversários, apesar dos muitos desfalques já sofridos ao longo da temporada.

E, após um primeiro tempo sem gol e de sofrimento para suas torcidas que aguardavam o balançar da rede adversária como confirmação da glória de seu time, o segundo tempo veio para surpreender a todos que assistiam ao jogo. Na lateral do lado de fora do campo, já avistava-se o jovem aspirante a ídolo do time se preparando para entrar em cena, carregando a responsabilidade de decidir aquele jogo. A expectativa era grande, a esperança também.

Dentro de campo, alguém haveria de sair e todos já sabiam quem seria. E, como que sabendo de seus últimos suspiros e querendo aproveitar cada segundo, eis-que num lance de difícil explicação em palavras, Orlando Berrío, o jogador colombiano prestes a ser substituído, improvisa e dá um passe para o craque do time finalizar e fazer o gol. Queria poder explicar, queria poder entender o que foi a jogada inesperada, para que ao lerem este texto, pudessem captar a beleza de tal drible. Mas, não sendo possível, nem tampouco o único destaque deste acontecimento, sigo refletindo sobre a peculiaridade de tal feito.

Um jogador estrangeiro, prestes a se sentar no banco e encerrar sua participação naquela partida, e então ceder seu lugar para o jovem craque ovacionado pela torcida, luta bravamente e cria um drible original. Uma jogada onde seus pés dançam harmoniosamente com a bola, utilizando o corpo adversário não como obstáculo, mas como elemento importante para seu show. Ele então faz a bola flutuar até seu companheiro, um dos craques do time, que num chute certeiro faz valer todo esforço e criação daquele belo drible. Antes de entrar no gol, a bola ainda cruza o caminho de outro craque do time, o atacante peruano, que salta por cima dela, dando licença para que ela pudesse passar.

O gol foi de um dos ídolos do time, o jovem craque entrou minutos depois confirmando a substituição, mas ao final do jogo só se falava do drible daquele que improvisou, criou e acabou vivendo o improvável. Em um time de tradição e elenco repleto de estrelas, naquela noite, todos viram o inacreditável surgir dos pés de quem menos se esperava e se renderam ao poder de sua criação. Não foi só um drible, não é só futebol, nem tampouco foi sorte.

Debora Lomba - professora do curso de Psicologia

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